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Café com Afeto entrou para o calendário cuiabano |
As
estrelas da noite foram a Ibogaína e a saga de uma pessoa fissurada em ajudar o
outro, resultados marcantes da noite “Expedição
África”, tema da segunda edição do Café com Afeto, realizada nesta quinta, 25
de junho, no Museu Histórico de Mato
Grosso, uma idealização do Espaço 8 – movimento
cultural promotor de conhecimento e elevação do ser humano, idealizado pela
cronista Isolda Risso.
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Mais de duas horas e meia de aprendizado |
Outra
conclusão do encontro filosófico: A maior
dificuldade hoje não é dinheiro e nem beleza, mas sim descobrir quem somos nós
e a dificuldade em nos relacionarmos com o outro. Outra constatação é que tudo
“conspira a favor” quando o desejo de ajudar é profundo.
A
noite foi marcada pelo relato da rica experiência da terapeuta Sonia Mazetto e
de suas parceiras Tiara Moreira e Tabata
Mazetto, que, em 2014 ficaram um mês na África Central, em Camarões e Douala,
em busca do lugar exato onde se cultiva a Ibogaína – planta comprovadamente com
o poder cinco vezes maior no combate à dependência química.
Muitos
pesquisadores do mundo já tentaram o feito de chegar no mesmo lugar e não conseguiram. Mas a sorte, o
merecimento e a soma de escolhas bem feitas, aliadas a um planejamento
criterioso do Alex Mazetto deram à Sonia a possibilidade de realizar um de seus
grandes sonhos. Atualmente ela utiliza a planta na cura de pacientes em Cuiabá,
com relatos de grande eficiência.
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Num clima descontraído e rico, assim é o Café com Afeto |
Elas
enfrentaram fome, falta de água tratada, o risco de serem estupradas, angústia,
medo, andaram por cinco cidades até descobrir onde era o plantio da Ibogaína,
exatamente onde eram feitos rituais específicos para o consumo da mesma. “A
planta tira a fissura pelas drogas, é usada desde 1960”, disse Sonia. Atualmente
ela é considerada “ouro” no mundo por ter eficiência comprovada no combate a
doenças e lesões neurais, depressão, bipolaridade e até esquizofrenia.
Sonia
alertou para o cuidado com o uso da mesma. “É uma planta perigosa, precisa ser
usada na dosagem certa, no máximo 30 gramas ao dia, ela é o último recurso pra
quem chega, normalmente destruído, tem gente que já passou por 30 internações,
procura na hora do desespero extremo”. O uso da planta dá uma chacoalhada no
corpo, mente e espírito, tira a necessidade do vício, mas Sonia informou que o ritual
é sofrido, dura um dia todo e cada
pessoa pode ter reações adversas diferentes. Portanto, é preciso ter
assistência correta para utilização do tratamento.
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A terapeuta Sonia, amor incondicional à causa |
A
edição do Café com Afeto contou com convidados especiais como os empresários
Oiran Gutierrez, da CVC, Alberto Lebrinha e Dalva Ferraz, do O Boticário,
alguns dos principais apoiadores da
“Expedição Cura” (ida da Sonia à África e a Amsterdam para entender mais sobre
a Ibogaína). E Dalva contou a razão de ter aderido com garra ao projeto. “A gente vê como é
duro o sofrimento das famílias que tem dependentes químicos, elas não enxergam
luz no fim do túnel. A sensibilidade extrema da Sonia no trato com o outro me
fez abraçar a causa de imediato”, contou.
Relatos de vida - Outra conclusão
foi que o ritual favorece a dependência,
seja de drogas, alimentos, bebidas, etc.., e sobre a necessidade de rotina na
vida, até para haver organização do sistema neural. A escravidão psicológica da
dependência foi amplamente debatida, com ricos depoimentos.
Para
Isolda Risso, o Ser humano nasceu para ser livre, mas essa liberdade é
conquistada, é fruto de escolhas, reflexões, escolhas raciocinadas. “Mas a
gente se ancora em vícios para o corpo, em dependência emocional pra tentar
alcançar essa tão falada liberdade, muitas vezes esquecendo que a liberdade resulta de muito
labor”, declarou.
Cada
participante da mesa do Café teve um relato emocionante pra contar sobre o
quesito dependência. Isolda Risso deu um
depoimento tocante quanto ao ritual. Ela contou ter sido fumante dos 14 aos 35
anos, eram quase duas carteiras ao dia. Chegou num ponto que não suportava mais
sentir o cheiro no cabelo, na roupa. “Comecei a me isolar, não queria mais
abraçar os filhos por conta do cheiro”, foi quando resolvi parar. Mas, o ritual
para fumar também precisou ser abandonado, como ver o pôr-do-sol por um bom
tempo e pintar telas. “Fui escrava, não tinha consciência exata do mal por
muitos anos”, disse Isolda, alertando para o perigo do condicionamento. O
detalhe é que na infância Isolda detestava ver o pai e os irmãos fumando.
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Isolda Risso, satisfeita com a consolidação do Café com Afeto |
O
outro convidado para o Café com Afeto, jornalista Onofre Ribeiro, também fez um
relato tocante. Há dez anos o filho Marcelo, de 29 anos, morreu num acidente de
moto, em Salvador. Depois disso Onofre passou vários anos depressivo, se
sentindo mortalmente culpado, num auto martírio pra encontrar respostas. “Até que na décima
sessão de terapia a psicóloga me perguntou que tipo de pai eu tinha sido,
respondi: o pai possível”.
Foi naquele dia que o peso da culpa se dissipou e
houve a libertação de Onofre, que, sabiamente, nos ensinou ainda que “A gente
não administra o mundo, não há culpa quando há morte, divórcio, violência
química, etc.., no fundo também somos vítimas”.
A
participante do Café com Afeto, astróloga Maria Eunice Sousa, fez uma participação enfatizando que a falta
de rituais levou ao esvaziamento do Ser humano. A cronista Isolda Risso
concordou plenamente com a fala, acrescentando que “Hoje vivemos uma epidemias
do vazio, até pode ser considerada uma ironia, já que nunca houve tanta
informação circulando. E então a fuga, muitas vezes é buscada na agressividade
e em comportamentos distorcidos”.
E
concluindo, Isolda Risso conclamou a
todos para a responsabilidade do auxílio. “Cabe a cada um de nós a
responsabilidade de transmitir, auxiliando um a um, nos perguntando sempre quem
é o próximo mais próximo”. A conclusão da idealizadora do Café com Afeto é que
nós somos nosso próximo mais próximo, e que precisamos ficar muito atentos ao que
fazemos com nosso tempo livre e nossas emoções.
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Tudo é pensado com carinho no Café com Afeto |
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Compartilhar para crescer, um lema de vida |
Para saber mais sobre a “Expedição Cura” e o
trabalho da Sonia Mazetto com a Ibogaína, basta visitar a página no facebook – www.facebook.com/expedicaocura ou pelo número (65) 9982-6370.
O Café com Afeto, mais uma vez, provou que
pensar coletivamente é a saída para muitos males físicos e emocionais. A
próxima edição tem data, local e tema. Será realizada no Museu Histórico de
Mato Grosso, às 19 horas, em 30 de julho, com o tema “A tecnologia invadindo as
relações”. Acompanhe a página no
facebook Espaço 8 e fique por dentro de
todas as novidades.
*As fotos dessa matéria são da Fafá Santos.